A ansiedade roubou minha vontade de praticar esportes

Ansiedade e esportes combinam?

A ansiedade roubou minha vontade de praticar esportes

Praticar exercícios físicos é uma excelente forma de combater a ansiedade. Mas o que fazer quando esse mal nos rouba a vontade de praticar esportes?


Sempre fui uma pessoa amante dos esportes. Minha infância e adolescência foi baseada em estudar e jogar bola. Jogava de manhã, de tarde e de noite. Era um jovem incansável!

Com o passar dos anos, a frequência em que eu praticava esportes diminuiu por conta da rotina, mas nunca deixei de jogar. Sempre que tinha uma brecha, jogava!



Antes do diagnóstico da ansiedade




Diante de todas as paranoias, problemas de saúde que imaginava ter e crises de ansiedade que sofria (mesmo sem saber o que eram crises de ansiedade), praticar esportes era a minha válvula de escape. Sempre que jogava futebol, vôlei ou tênis de mesa, corria, andava ou pedalava, tudo sumia. As dores no peito não resistiam a uma partida. O medo de ter uma doença séria desaparecia quando eu me acabava em suor. "Como eu poderia estar doente e aguentar tanto esforço?", era o que eu pensava...



Um pouco antes de descobrir que eu sofria de transtorno ansiedade generalizada, passei por uma fase muito estranha. Perdi totalmente a vontade de fazer qualquer atividade física.

Foi uma fase bastante depressiva. Eu estava tomado por um desânimo tão grande, que levantar da cama era um desafio. Não tinha vontade de jogar bola, não tinha vontade de pedalar, não tinha vontade de nada!

Essa grande depressão foi causada por sintomas que eu sentia com frequência e não encontrava explicação.

É estranho lembrar desse período. A sensação de não ter vontade de fazer algo que você sempre gostou é algo angustiante. Eu sabia que eu gostava daquilo, sabia que ia me fazer bem, mas não tinha a menor vontade de fazer. Era como se um vampiro invisível estivesse sugando toda minha energia e felicidade. Minha tristeza era aparente.

Minha família percebia aquilo. Eu estava completamente diferente do que sempre fui. Não estava vivendo.

Para tentar resolver isso, fui atrás de algum diagnóstico. Fiz exames, fui em consultas, tomei vitaminas e muitas outras coisas. Nada dava certo. Nenhum médico conseguia descobrir o que eu tinha. Alguns nem tentavam… É incrível e falta de compromisso de alguns médicos do SUS. Mal escutam o que falamos!

Aos poucos, o desânimo acabou sumindo da mesma maneira que apareceu: sem a menor explicação. Eu me pegava imaginando o que estava acontecendo comigo.

Hoje, depois de estudar bastante sobre a ansiedade e todos os sintomas que ela causa, vejo que a falta de informação sobre esse transtorno dificulta bastante o seu diagnóstico. Se eu tivesse pesquisado um pouco sobre ansiedade, poderia ter descoberto a origem dos meus problemas. Mas como pesquisar por algo que eu nem sabia que era doença?

Quantas vezes você ouviu falar sobre o transtorno de ansiedade generalizada quando era um adolescente? Eu não ouvi nenhuma vez.

Depois do diagnóstico da ansiedade


Depois da pior crise de ansiedade que eu já tive na minha vida, tudo ficou diferente em relação aos esportes. Eu vivi uma fase de medo, uma fase de vigília e uma piora no meu quadro. Deixa eu explicar.

Quando fui diagnosticado e comecei a ler bastante sobre ansiedade, descobri que o esporte poderia ajudar bastante. Me agarrei a isso. Como tinha largado a faculdade, tive bastante tempo para praticar esportes e isso me fazia muito bem. Sempre que eu me exercitava eu me sentia bem.

Eu chegava na quadra, no campo ou em qualquer outro lugar, onde ia praticar algum esporte, com medo. Tinha medo de passar mal, passar vergonha, ter uma grande crise no meio daquelas pessoas que com certeza não sabiam o que era ter ansiedade patológica e com certeza iam rir de mim (pelo menos na minha cabeça).

Quando eu começava a jogar entrava em vigília. Me dividia entre jogar e policiar meus batimentos, minha respiração, tudo que acontecia comigo. No decorrer do jogo eu acabava esquecendo de me vigiar e tudo corria bem. Esquecia de tudo e só me divertia. Depois que acabava e eu ia pra casa, começava a avaliar como tinha sido, como eu estava, o que tinha sentido. Vendo que eu tava bem, eu pensava “Olha ai Welligton, você não tem nada, tudo está bem com você. Deixa de besteira!”.

No dia seguinte todo o ciclo se repetia. Até que um dia não se repetiu… 

Eu nunca tinha sentido algo enquanto praticava esportes. A primeira vez aconteceu durante uma partida de futebol. Senti meu coração batendo fora do ritmo, a respiração ficou acelerada e o lugar onde eu me sentia seguro não era mais tão seguro assim… 

Não tive como me concentrar no jogo, só conseguia pensar em ir pra casa.

Depois disso, fiquei com medo de jogar e passei muitos meses sem conseguir pisar em uma quadra ou patriarca qualquer outro esporte. Mas como tudo passa, isso também passou. 

A vida de quem sofre com ansiedade é um eterno “vai lá e tenta”. Se você está com vontade de fazer e tem medo de passar mal, vai lá e tenta! Você só vai descobrir se consegue, tentando! 

Depois de começar a usar a medicação e estar bem mais estabilizado, resolvi tentar a voltar a jogar e a fazer tudo que eu fazia antes. Tomei coragem, peguei minha chuteira, fui lá e tentei. Joguei e não senti nada, além de cansaço pelos tantos meses que passei sem me exercitar. 

Hoje em dia jogo, corro e pedalo sempre que posso, só tenho que tomar alguns cuidados:

Não exagerar 

O exercício físico estimula a produção de substâncias que causam um grande bem estar. Fazendo muito bem e diminuindo as reações de pânico e ansiedade, mas o exagero pode fazer o contrário, pode aumentar os sintomas da ansiedade! 

Quando pego pesado nos treinos eu me sinto mal, o grande cansaço posterior me desanima e me deixa suscetível a pensamentos ansiosos. No dia seguinte é horrível, sinto muitas dores e não consigo fazer nada.

Não se alimentar corretamente

Quando pratico algum esporte sem me alimentar corretamente sempre me sinto mal. Se não me aliemento sinto bastante fraqueza e medo de passar mal. Se me alimento demais me sinto cheio, sinto ânsia e medo de passar mal também. Como tudo na vida, deve ser dosado, nem pouco, nem muito!

Estresse durante o exercício

Como todo esporte coletivo e competitivo, as vezes acontecem confusões e brigas durante as partidas de futebol e vôlei.Eu procuro não me envolver e levar tudo na esportiva, pois esse tipo de coisa mexe muito com nossa cabeça e pode causar crises.

Regularidade

Procuro praticar esportes com frequência. Quando mais frequente, melhor os resultados. Quando consigo me exercitar todos os dias, por um período longo fico MUITO BEM. A diferença é gritante! Por outro lado, quando me exercito só uma vez por semana, fico predisposto a sentir algo no dia seguinte, já que o corpo fica dolorido pela falta de costume.

Resumindo, o esporte me faz um bem enorme. Aliado a medicação e uma boa alimentação, produz resultado excelentes.

Se você sofre de ansiedade e quer sua “vida normal” de volta, pratique esportes, vai te fazer muito bem!

Além dos esportes, você pode seguir algumas dicas que dou nesse texto. São coisas bem simples que me ajudam muito!


A ansiedade roubou minha vontade de praticar esportes A ansiedade roubou minha vontade de praticar esportes Reviewed by Welligton Magalhães on março 27, 2018 Rating: 5

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